sexta-feira, outubro 23, 2020

Marcelo e Ana não eram nada parecidos ele era de Leão e ela tinha bem mais que 36!

Ela 1975, ele 1996 e nem dá pra evocar Eduardo e Mônica porque quando ela se formou ele nem estava no ensino fundamental. Absolutamente nada parecidos! Além, da distância de quase duas décadas ela  sempre ansiosa e ele na plenitude de quem já nasceu pronto e maduro. Nas primeiras semanas de "oi" "bom dia", "boa noite", "como vc está?" de repente surgiu um "oi amor" e ela se deliciava com a naturalidade dele em chamá-la de amor. Seria hábito da juventude? Ela pensava um tanto desconfiada. Mas, o prazer de ser acolhida e amada dispensava qualquer entendimento. Com eles o papo ia da gastronomia ao sexo virtual passando por crises familiares. Tudo era natural e orgânico e Marcelo mesmo dentro daquele quadradinho verde parecia real, ali ao alcance das mãos. E de fato estavam ao alcance de um beijo porque entre eles havia apenas 140km de uma estrada que ela conhecia bem. Afinal, ele e ela eram conterrâneos. Ambos nasceram na terra seca e repleta de horizonte chamada Brasília.  Cresceram na mesma cidade em épocas diferentes mas mesmo assim possuíam amigos em comum nas redes sociais. E o amor deles planejava um encontro onde caberiam outros encontros com essas pessoas em comum. Ambos acreditavam que tinham muito o que mostrar um para o outro em suas respectivas cidades. Pesquisaram hotéis, roteiros gastronômicos, o que iam beber e vestir. Ela prometeu a ele que deixaria ele dirigir enquanto ela o acariciava. Esse assunto rendeu e ambos ardiam de vontade de realizar todos esses desejos!

Os dias passavam e Ana contava para Marcelo das suas frustrações e do cansaço que era viver nesse momento de Pandemia. Ele reclamava das aulas on line e do professor de Direito Trabalhista. Ambos concordavam que o melhor futuro para os advogados é longe do Direito do Trabalho e que concurso na terra dos Candangos é a melhor saída. Ele planeja ser policial federal e ela ama os sonhos juvenis que ele conta recheando a narrativa com pausas "tô com saudade de tu". Ela sempre ria desse "tu" empregado sem critério assim como dos memes infames que ele criava. Ele tinha pouco talento nessas coisas de jovens ainda que os sonhos e a narrativa fossem de alguém com menos de 30 anos! Será que vão pensar que Marcelo é filho de Ana? Essa ideia estranha sempre vinha a cabeça dela que mesmo desejando muito ele receava por parecer uma "coroa ridícula". 

È bem verdade que Marcelo teve muita paciência com as ausências Ana  e ambos conversaram sobre a distância que não era exatamente física. Ela queria muito amá-lo de verdade, mergulhar de cabeça, romper a Pandemia para o sexo anunciado. Só que coração é terra que ninguém anda e o dela estava num "amor em construção" com alguém da mesma idade com dramas e dores parecidas. Na cabeça dela sempre existiu o receio dele achá-la velha e chata no encontro real. Ele dizia que isso era impossível que o "amor deles não tinha tempo" Tempo, tempo, tempo, mano velho e nessa Pandemia ele se confunde e se funde e foi assim que ele comunicou a ela uma nova namorada. A noticia a pegou de surpresa ainda que não houvesse novidade alguma na possibilidade do amor real engolir o virtual. E assim a Pandemia que os uniu selou o destino de ambos: cada um na sua cidade e na sua busca! Ela? ficou meio tristinha mas entende que o mundo não gira a seu redor. Ele? foi honesto, maduro e responsável afetivamente. Marcelo  segue com a nova namorada que Ana nem ousou perguntar a idade. Ela está com a fé abalada em amores virtuais. Ambos seguem seu caminho e não esqueceram do amor que construíram juntos!




 

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