Goiânia, 04 de abril de 2019.
Caro
Pastor Aluísio,
Meu
nome é Nina Rosa, tenho 43 anos, mãe, professora, mulher
trabalhadora. Nasci num lar cristão de uma igreja tradicional são
5 gerações de fé cristã evangélica. Fui criada num lar
matriarcal onde fazemos cultos doméstico com louvores da harpa e do
cantor cristão em todas as festas oramos agradecemos e louvamos ao
Senhor. Essa prática me fez desenvolver um tanto de fé e um temor
de Deus que me protegeu e me guiou pela juventude. Na adolescência
frequentava a igreja do Pastor Vilarindo em Brasília e muitas das
suas pregações me tocavam de forma especial, após a adolescência
me tornei uma crente “fast food” ia a várias igrejas me sentia
alimentada e seguia a vida sem manter um compromisso sério em nenhum
lugar.
Por
volta dos 30 anos comecei a frequentar a Igreja Cristã Evangélica
(Av. Paranaíba em Goiânia) por causa de um namorado que era membro
e sempre íamos aos domingo no culto, não por acaso essa é a igreja
a qual minha família sempre congregou e aquela vivência toda fez
muito sentido pra mim e desejei me batizar e me tornar membro. O
culto do meu batismo coincidiu com o aniversário da igreja e esse
momento foi tão lindo, especial e emocionante que lembro com
detalhes como aconteceu. Creio que me senti de fato amada e
pertencente a um grupo onde falávamos de Deus e estudávamos a
bíblia era uma convivência deliciosa e prazerosa. O namoro (nada
cristão por sinal) com o membro dessa igreja naufragou mas continuei
firme e ainda trouxe o novo namorado para o culto, que dormia no
banco da igreja e nada entendia do sermão do reverendo Jessé . As
vezes era constrangedor o olhar das outras pessoas pra ele, mas eu
nem ligava seguia muito feliz e sentindo prazer e alegria naquela
prática. Após quase 2 anos de namoro com esse segundo rapaz eu
engravidei sem planejar, foi de fato um descuido algo sem muita
explicação na medicina porque eu havia recebido um diagnóstico de
infertilidade em 2006 e meu filho nasceu em 2008. Eu entendi a
gravidez como uma benção ainda que tivesse acontecido num momento
conturbado financeiramente e que logo em seguida a descoberta da
vinda do bebê o Roberto (pai do meu filho) simplesmente me
abandonou, sem assumir responsabilidades ou me apoiar. Senti o chão
se abrir! Eu não entendia porque passava por tudo aquilo mas decidi
me apegar a maior prova do amor de Deus por mim: meu filho Gabriel!
Entendi que muito além daquele relacionamento eu tinha recebido algo
especial que fazia parte de um desejo forte e íntimo de ser mãe! E
o Senhor na sua infinita misericórdia havia me concedido essa graça
tão especial e se eu não tinha um companheiro, provavelmente, não
tinha pedido com a fé necessária uma família mais tradicional como
eu também queria.
A
gravidez seguiu muito bem! Nunca tive enjoos ou transtornos e acho
que poderia ter tido uns 10 filhos porque vendi saúde e bem estar
nesses meses de gestação. Gabriel nasceu lindo e saudável!
Esperto, cheio de energia assim que ele nasceu eu vivia num torpor de
amor, eu olhava para ele admirada com tanta perfeição e saúde.
Essa sensação tinha um motivo porque descobri minha gravidez
bastante avançada (20 semanas), tive dengue e nada disso impediu que
o Gabriel viesse ao mundo vendendo saúde e energia! Oh Amor
infinito! Eu nem merecia ser mãe e ainda ser mãe de um bebê tão
especial eu me senti especial de novo. Eu estava tão feliz que
queria dividir aquela dádiva com toda a igreja e apresentar meu
testemunho mostrar o quanto o amor de Deus é infinito! Planejei a
apresentação do Gabriel á igreja, pretendia inclusive fazer uma
pequena festa e receber família e amigos após essa apresentação.
Organizei tudo! Só faltava combinar com o reverendo Jessé em qual
culto o Gabriel seria apresentado. Ao abordá-lo pra definir essa
data ele me disse que não faria a apresentação do Gabriel para
toda a igreja porque eu não era casada que seu quisesse que ele
orasse pelo meu filho eu o levasse ao gabinete pastoral para isso.
Quando lembro disso tenho vontade de vociferar um palavrão daqueles!
Novamente o chão se abriu eu tive vontade de responder ao reverendo
com um montão de desaforos mas me contive, ele era um homem idoso e
meu pastor eu não poderia ser desrespeitosa com ele ainda que ele
tenha sido comigo. Foi extremamente doloroso imaginar que aquele
homem não via o Gabriel como uma benção, como presente de Deus. O
resultado disso tudo foi eu lidar com essa revolta me afastando da
igreja mas jamais me afastando de Deus que seguiu me oferecendo
milagres diários. Voltei a ser crente “fast fodiá” fui a muitas
igrejas me alimentava e sumia.
Tem
mais na minha história mas agora cabe um parêntese para tentar
explicar a motivação desse texto. Pra ser sincera nem eu mesma sei
ao certo. Penso que estou escrevendo para dar um testemunho,
compartilhar e conversar contigo. Sou apreciadora das palavras que
saem da sua boca, vejo o mover de Deus na sua igreja, li alguns dos
seus livros admiro sua esposa (ela é linda e elegante!) e vejo tanta
força na Videira. Creio que precisamos dessa força nesses últimos
dias e sinto que essa força existe na Videira.
Voltando….
Continuei
na prática “fast food” por anos! Em 2014 conheci um rapaz que
parecia preencher os requisitos para um esposo bacana. Passados 3
anos de relacionamento percebi que tudo não passou de uma ilusão
criada por mim, na verdade, ele era um homem perverso e perturbado e
o término do noivado foi algo muito forte, foi de fato a primeira
vez que vi o levantar do inimigo sobre mim. Ah querido pastor quantas
dores e tribulações! Medida protetiva (judicial), perseguições,
humilhações e principalmente medo, muito medo! As vezes eu ficava
me perguntado: Deus por que? Por que eu? O que o Senhor deseja
comigo? No auge da minha pertubação fui convidada por um grande
amigo que é da Videira (setor bleno Paulo Pelágio rede pastor
Micael estou certa do nome desse pastor?)a participar de um encontro
e, sem dúvida, esse encontro é um divisor de águas na minha vida.
Foi simplesmente MA RA VI LHO SO! Me recordo de ver a cruz queimando
meus pecados e o quanto fui atraída por aquela imagem e
principalmente me recordo da sensação. Senti que algo se queimava
dentro de mim, essa lembrança sempre me leva as lágrimas porque foi
um fogo que trouxe uma renovação e consciência sobre meu
relacionamento com Deus!
Fui
ao pós encontro e estudei com o Paulo que me acompanhou por várias
semanas! Comecei a frequentar o culto e tudo que era dito nas
pregações faz grande sentido pra mim e eu me perguntava “onde eu
estava que nunca ouvi isso antes”? Toda semana esse meu amigo me
manda pelo watts app as pregações de domingo, sempre aos ouço
quando estou no trânsito, leio as passagens e fico refletindo o que
ouço por dias!!!!
O
Sr. deve estar se perguntando nesse momento: então você está ou
não na Videira? Cadê você ? Sou capaz de ouvir sua voz com
entonação única e muito própria falando assim. Era neste ponto
que eu queria mesmo chegar. E o que digo é uma confissão: não sei
o que me impede de fato de estar na igreja de forma completa! Aliás,
ouso dizer que tenho sim vários argumentos racionais para
justificar essa ausência. Sofro como pensadora porque vejo que a
Igreja como instituição social padece de muitos males que
observamos em outras instituições sociais. Claro que também sei
que a Igreja vai além do seu formato social, mas, muitas coisas me
incomodam.
Só
que Deus é um pai insistente! E de repente, no último ano, tenho
experimentado milagres diários e também despertei para a fome do
inimigo. Hoje mais adulta, percebo essa inclinação que o mal tem
por nós, creio que isso tem a ver com a nossa natureza humana e
frágil! Quanto mais eu reflito o quanto sou sombra por ser humana
mais contemplo a luz de Deus e me sinto grata por ter um Jesus que
pagou o preço por mim! Essa reflexão é racional e as vezes me
sinto um tanto culpada por ser assim. Ouço tantos relatos de
encontros espirituais e experiências além do entendimento que fico
constrangida por pensar nos favores que recebo de forma racional.
Porque eu penso em DEUS A TODO MOMENTO TODOS OS DIAS! E contemplo
suas obras e os pequenos mas infinitos milagres que recebo
diariamente.
Gostaria
muito de compartilhar com outras mulheres que vivem ou viveram um
relacionamento abusivo o quanto o nosso Senhor pode sarar essas
profundas chagas. E também falar com as jovens sobre a importância
de se investir na vida espiritual, o poder da oração e que cada um
tem sua forma de conversar com Deus e que esse diálogo é
fundamental para vivermos de fato! Porque quando estamos longe de
Deus apenas existimos e a existência feminina nesse mundo é
bastante hostil. As mulheres precisam pensar sobre seu papel no mundo
e que somente com Deus conseguiremos vencer os desabores humanos.
Enfim,
prezado pastor Aloísio gostaria de receber orações para que eu me
encontre de fato nesse caminho que me leve a Igreja. Recentemente eu
estava muito angustiada com esse assunto e numa pregação sua ouvi
que, para algumas pessoas, há um tempo para a “metanóia” ou
seja uma transformação mais profunda e tolerante. Eu creio que
estou nesse processo. Eu anseio pelo dia em que eu sinta a plenitude
de estar de fato numa igreja.
Obrigada
por ler o meu testemunho!
Abraços
Nina
Rosa