
Tenho uma prima muito engraçada e igualmente inteligente. Volta e meia ela me manda uns e-mails que ao ver o remetente me preparo para boas gargalhadas. Só que essa semana ela (ou seria o destino?) me pregou uma peça e recebi uma mensagem com o título Diga trinta e três de um tal Antonio Prata. Automaticamente me lembrei do Pneumotórax do Manoel Bandeira que li na adolescência para um trabalho escolar, só que o Diga Trinta e Três da minha prima gaiata me fez, ao final da leitura, ouvir um tango argentino.
Os trinta e três do atual Antonio Prata refletem essa “neura” moderna onde vivemos mais tempo, porém, tudo tem que acontecer mais cedo. O primeiro milhão deve surgir antes dos 25 o doutorado antes dos 30 e um monte de realizações antes dos 40. E então fiquei pensando que engrosso a fila daqueles que ainda não conquistaram aquilo que se espera: nada de casa própria, nem dinheiro aplicado, nem reconhecimento profissional a altura. A única coisa realmente realizada é o meu filho, mas ainda falta o cachorro, a casa com piscina, as férias de verão e o marido com dentes brancos. Depois dessa chacoalhada da minha kusin fui dormir assim meio de ressaca, preocupada com o tempo e meio frustrada, o exemplo do Rimbaud acabou comigo.
Na manhã seguinte, quase fui comprar um livro de auto ajuda o Augusto Cury (se bem que ele foi guru do Dunga aff) Shinyashiki e Max Lucado rondavam meu pensamento e eu relfetia: se eles dão a fórmula eu quero aprender!
Um pouco perturbada com a idéia de comprar esses livros parei pra ver um programa de televisão com o Luan Santana (sim aquele do meteoro da paixão!) a volta dele meninas chorando com espinhas na cara e a apresentadora sem saber como receber o ícone teen tentava parecer mais jovem também. Passou na minha cabeça um filminho protagonizado pelas minhas espinhas, o professor de matemática, o de física, o de química, o drama de ter muito peito e sem seguida o de ter pouca bunda, as amigas que me roubaram namorados as disputas idiotas os estágios que fui explorada e um montão de “crises” que vivi antes dos trinta. UfA! Os milhões, a família de margarina e as luzes do sucesso ainda não vieram e podem nunca aparecerem pra mim, mas ganhei algo mais seguro e duradouro ao dizer Trinta e Três. Consegui um tanto de maturidade que me fazem encarar a vida como ela deve ser e ir galgando aquilo que de fato combina comigo e me fará feliz.
Já pensou se volto aos 15? Poderia gostar do Luan Santana...aff...que perigo!
Fotita minha mesmo.