terça-feira, dezembro 14, 2021

O toque do tambor e da Mãe Terra!

 

A imagem era um círculo sofrendo uma força centrífuga que misturava as cores. Me vi colado a esse círculo em alta velocidade, meu corpo parecia incrivelmente claro, quase translúcido. Me deixava levar como uma boneca com braços, pernas e cabeça obedecendo ao movimento. Ao som do chocalho senti subir uma energia vinda dos pés como um arrepio, uma corrente elétrica suave. A velocidade só aumentava e as cores se misturaram completamente com raios, algo como uma foto de máquina lomo. Era uma luz linda e em movimento!

A luz ficou ali brilhando não sei porquanto tempo, mas, desacelerou e comecei a ver outras imagens. Parentes distantes que não vejo a tempos, um primo em especial, uma rua do centro da cidade e a avenida paralela que percorri talvez voando não sei ao certo. O que estava muito claro nesse passeio era a perspectiva do asfalto, eu o via muito escuro e bem liso. Via rua, vi os prédios era um dia nublado, muito parecido com o dia vivido.

O toque do tambor com o canto interrompeu o passeio e as imagens sumiram. Optei por prestar atenção na minha respiração e usufruir da incrível sensação de relaxamento. Minha cabeça esvaziou-se e eu continuei respirando e ouvindo, respirando e ouvindo, respirando e ouvindo...até que veio o chocalho de novo e ao invés de corrente elétrica veio a sensação de uma certa leveza corporal. Parece que fiquei mais leve!

Ao final do trabalho retornei da experiência com os mesmos questionamentos e desejos de antes, mas sem a raiva e a indignação. Me reconectei comigo mesma e tive mais consciência dos desafios, dos desamores, abandonos, lacunas e totalmente ciente de que são sentimentos e emoções muito minhas e legítimas. Afinal me sinto composta de várias camadas onde há espaço para minha humanidade que carrega afeto, compreensão e um tanto de inquietude e questionamento. Pretendo percorrer todo esse asfalto em busca de uma cura sublime e definitiva. Afinal, para todo mal, a cura!

domingo, dezembro 05, 2021

Agonia

 Rubens,

Bom dia! E primeiramente desculpe por ter insistido ontem ligando algumas vezes, de fato fiquei preocupada com seu sumiço. Vivemos numa cidade grande e violenta e confesso que como você não respondeu a nenhuma msg (como tem acontecido aos sábados e eu esperava) cheguei a cogitar que poderia ter acontecido algo de ruim. Parece que não né? Feliz por isso! Vou te escrever um longo texto e espero que vc o leia completamente. Me sinto bem escrevendo, na maioria das vezes melhor que falando sobretudo quando exponho coisas que estão no meu íntimo. Penso que perdi a oportunidade de conversar pessoalmente no sábado passado, procrastinei e confesso! Eu gostaria de ter dito sobre o forte incômodo que senti diante do seu completo sumiço durante e viagem e pelo fato de vc não me procurar quando retornou e ainda quando o fez estava numa postura um tanto claudicante. No entanto, você respondeu a meu "chamado" nos encontramos e foi muito bom como de costume. De toda forma, a sensação de ruído, ou que há algo enfadonho entre nós manteve-se e foi bem perceptível pra mim mas achei que poderíamos conversar no próximo sábado (ontem) o que não aconteceu. Mais uma vez te abordei durante a semana e recebi um retorno tão educado! Tudo isso me pareceu confuso, porque vc está distante, a linguagem corporal não era mais a mesma (ouso dizer que isso rolou até antes da viagem) os olhares ficaram mais curtos e profundidade dos papos diminuiu, tudo muito subjetivo mas absolutamente perceptível ao meu radar. Busquei algumas respostas que são, na prática, um esforço inútil pq jamais "darei conta do outro" o que posso com alguma segurança e sinceridade é dizer como me sinto e vejo o que me rodeia. Quero registrar com veemência que não estou cobrando sua atenção ou uma satisfação que seja, eu apenas, necessito me colocar nessa situação. Minha experiência de vida e também em aplicativos de relacionamento me fazem uma cumpridora do contrato tácito que há entre um homem e uma mulher (sobretudo adultos) quando se conhecem nessas condições e agi de acordo com essas expectativas. Me coloquei disponível e vivi cada encontro! Quanta gratidão! Que homem incrível que vc é! Inteligente, atraente, educado, profundo, atencioso como é bom falar mal do Bolsonaro com vc, como é bom te ouvir falar do Francisco, como é bom saber do que vc lê e aprender sobre toda essa coisa da ARTE, te ouvir falar da universidade e dos alunos. È um privilégio, sem dúvida, conhecer esse homem, pai, artista, professor, amigo, ativista, amante (penso que nosso sexo poderia ser melhor e penso que ficaria se conversássemos sobre isso). Enfim, ao invés de projetar qualquer coisa para o futuro dentro dessas expectativas tradicionais me prendi a gratidão e viver o momento. Sei também que em algum ponto dessa jornada deveríamos conversar sobre os novos rumos e ajustar a rota, refazer combinados. Lamento ter deixado esse "ponto passar" e chegar nesse ponto onde sou ignorada nas minhas mensagens, isso não me parece razoável muito menos parece com vc. Evitei essa papo quando senti um pequeno ruído, acredito piamente que vc tem bem mais repertório do que os "outros" e nessa conversa de "ajuste da rota" eu não ouviria coisas do tipo: vc é ótima mas não quero me envolver ou acho que vc está sentindo algo a mais ou diferente do que eu sinto! Enfim, estou aberta a te ouvir se vc quiser falar algo e se não quiser dizer nada, tudo bem também eu entenderei que vc não quer mesmo falar comigo. Gosto de vc e gostaria de me manter ao seu lado se VOCÊ DESEJAR, afinal quando um não quer não haverá dois.  Obrigada por tudo! Beijos, muitos beijos!