sexta-feira, abril 07, 2017

Conflitos familiares

Até que ponto nossos conflitos familiares são tão sérias divergências que trazemos do passado? Ou será o nosso estado de ânimo o maior responsável pela percepção positiva ou negativa que possamos alimentar em relação às pessoas e às circunstâncias?

         De acordo com os postulados espíritas, o lar terrestre é o local onde os espíritos encarnados estão se encontrando para as necessárias realizações, ou se reencontrando para os inadiáveis acertos, em virtude de certos compromissos que uns assumiram perante outros no decorrer das sucessivas encarnações.
         Torna-se compreensível, portanto, o fato de a grande maioria dos relacionamentos familiares carecerem de certa harmonia, pois cada um de seus componentes pode possuir realidades íntimas bastante específicas e, nesse ambiente, exteriorizar muito dos conflitos e necessidades que ainda carrega.
         Todavia, aquele que se empenhe por sustentar o equilíbrio e o bom senso perante as situações difíceis e desagradáveis, oferece ao conjunto sua contribuição pacificadora. Se, por outro lado, se julgar no direito de esbravejar e de se impor ante as naturais divergências de pontos de vista e opiniões, certamente acabará por provocar uma confusão ainda maior.
         Sendo assim, um questionamento se mostra oportuno: até que ponto os naturais contratempos da vida familiar referem-se a complicados reajustes que trazemos de vidas pretéritas? Ou, não será que esses problemas estão sendo agravados, em razão da excessiva necessidade de certas criaturas em, por exemplo, fazerem prevalecer suas vontades e pontos de vista, em superdimensionarem as dificuldades, em não compreenderem e aceitarem as pessoas pelo o que elas conseguem ser, em não saberem lidar com seus conflitos e expectativas?    
         Estudiosos do comportamento humano já constataram que todos os indivíduos, periodicamente, passam por variações de humor. Assim, quando nos sentimos em paz, até conseguimos encarar as dificuldades com bastante otimismo. E nesse “alto astral”, como se torna fácil ter apreço pelo cônjuge e filhos ou ser  agradecido pela nossa família e nosso lar!
         Porém, quando nosso estado de ânimo se encontra em baixa, quantas são as vezes em que não queremos conversa com ninguém, em que não achamos graça em nada, em que nos aborrecemos com tudo e com todos? Muito embora amemos imensamente nossos filhos, podemos ficar incomodados com toda a atenção que eles requerem. E as imperfeições do cônjuge? Também poderão ser ressaltadas. Não será ele, então, o maior “culpado” pelos problemas domésticos? O interessante de se notar é que, nesse estado tão depressivo, a mesma vida, com idênticas circunstâncias, poderá parecer drasticamente outra, com um peso insuportável!
         Logo, é o nosso estado de humor que mais influencia nossa percepção e a maneira de conduzir os naturais problemas do cotidiano, principalmente quando eles ocorrem em nosso lar, independentemente dos conflitos anteriores que possam existir entre alguns familiares.
         O escritor espírita Rodolfo Calligaris, ao ressaltar a relevância da variação de humor, principalmente no relacionamento conjugal, aconselha:

            É de toda conveniência, portanto, que os esposos aprendam a discernir esses ciclos temperamentais, no outro e em si mesmo.
            No outro, para desculpar-lhes os amuos, os azedumes, os ‘contras’, as impertinências, etc., na certeza de que em breve isso passará, e tudo voltará às boas. Em si mesmo, para ter o cuidado de não tomar nenhuma atitude mais drástica, da qual, depois, muito terá de arrepender-se.
            É preciso que cada um dos cônjuges, ao perceber o mau-humor do outro, procure amenizar a situação, evitando, a todo custo, agastar-se também, para não suceder que, duplicado, esse mau sentimento faça a casa ir pelos ares. [1]

         O Espírito Thereza de Brito também segue semelhante linha de raciocínio e de compreensão e, assim, se expressa:

            Ansiando por crescer, na convivência com os ideais enobrecidos dos Espíritos Luzeiros, aprenda a dialogar para solucionar problemas, conversando equilibradamente, para o bem geral; faça o possível para não cobrar afeição dos amores ou reclamar consideração que, talvez, você ainda não tenha feito, nem esteja fazendo nada por merecer. Dedique-se a agradecer as coisas mínimas com que seja beneficiado em casa, e a ser gentil com os entes queridos e com os auxiliares domésticos, presenteando-os com a sua alegria natural, com a sua fraternidade, sem a hipocrisia que envenena a linfa da vida.
            Se é correto que no ambiente do lar você tem o território livre para que se mostre como é, para desenvolver-se, não se pode olvidar, entretanto, que não cabe aos outros suportar seus impulsos negativos ou sua desastrada invigilância, por fazerem parte de sua equipe doméstica. [2]


Relaxe. Até certo ponto somos todos assim, um pouco de Médicos e Monstros. De certa maneira, nosso humor é o ponto de partida para nossa experiência, não seu efeito. Nosso humor determina a maneira como vemos e vivenciamos nossas vidas. Quando nos deixamos abater, a vida parece pior, muito mais difícil. Para reforçar a idéia de quão significativos seus humores são, tenha em mente como a vida parece diferente, de uma hora para outra, dependendo do seu clima.

http://www.aluzdoespiritismo.com.br/teste/artigos/ler.php?texto=80

quarta-feira, abril 05, 2017

Ensaio sobre a tolerância




O significado filosófico da palavra tolerância: Tolerância é um termo que vem do latim tolerare que significa "suportar" ou "aceitar". A tolerância é o ato de agir com condescendência e aceitação perante algo que não se quer ou que não se pode impedir.
A tolerância é uma atitude fundamental para quem vive em sociedade. Uma pessoa tolerante normalmente aceita opiniões ou comportamentos diferentes daqueles estabelecidos pelo seu meio social. Este tipo de tolerância é denominada "tolerância social". https://www.significados.com.br/tolerancia/
Só que infelizmente algo tão complexo e difuso não pode ser entendido apenas a partir do seu significado. E  entre o aceitar e a compreensão do que "não pode ser mudado" há um abismo que invariavelmente traz dor e dificuldades. Afinal o que é isso? Essa tal de to-le-rân-cia? Vejo que se parece muito com ouvir e enxergar, porque a gente só percebe que não enxerga ou ouve bem quando esse sentidos estão sarados. Ou seja, quanto menos se enxerga menor a percepção da cegueira. Digo isso com a propriedade de quem operou os olhos e busca o exercício da tolerância a todo momento.
Tolerar não é fácil! É abrir mão da última palavra, é ouvir e não responder, é se colocar no lugar do outro despido de teses e reflexões profundas,é dar passos atras, entregar para o Divino ou ao acaso, ou seja simplesmente entregar! Somos tão pequenos, falhos e excessivamente humanos por isso é tão difícil compreender essa pequenez. Há dentro de cada um de nós a "megalomania" em achar que as experiências , os tratados, a ciência e o bom senso explicam tudo. Claro que as regras, os entendimentos devem nortear a sociedade mas o que fazer com o limite? O que fazer quando as coisas não se encaixam? Todos nós conseguimos com algum custo encaixotar certas coisas afim de que caibam no bom senso, regras, entendimentos, experiências etc...mas o que fazer quando isso não é possível?
Talvez nos reste tolerar. Entregar e saber o quão precioso é compreender o que não pode ser mudado. Pra quem considera que muito enxerga que as convicções, regras e certezas são o melhor recomendo a experiência de "não se encaixar" e lutar contra isso. Para finalizar um pouco da sabedoria de São Francisco:
Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado...
Resignação para aceitar o que não pode ser mudado...
E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.


inté

segunda-feira, abril 03, 2017

Um pouco de Legião...

Há tempos,
(Legião Urbana(


Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão
E o descompasso e o desperdício herdeiros são
Agora da virtude que perdemos

Há tempos tive um sonho, não me lembro
não me lembro

Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso

Os sonhos vêm e os sonhos vão
O resto é imperfeito

Disseste que se tua voz tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira

E há tempos nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
Há tempos são os jovens que adoecem
Há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
E só o acaso estende os braços
A quem procura abrigo e proteção

Meu amor, disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
Lá em casa tem um poço
mas a água é muito limpa