
Dizem que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. E nós brasileiros temos um pouco de vergonha disso e entre os dentes sentenciamos: “o ano só começa depois do carnaval”. Eu mesma em discursos inflamados defendi que a indolência do carnaval fosse absolutamente banida. Porém, após alguns anos de vida e uns tantos reais investidos em terapia reconheço o quanto um “tempo”, um “intervalo” ou uma “desacelerada” são preciosos. A inteligência da natureza mostra isso em todas as espécies há um momento de atividade intensa e outro de descanso. Por que não podemos ser assim? Qual o problema de começar devagar e soltar os bichos zerando tudo? Porque o carnaval é isso: soltar os bichos, uma forma de se perder pra depois se achar. Defendo o espírito carnavalesco se perder e se achar viver um outro personagem para na quarta-feira de cinzas encarar a realidade e se encarar sob um outro ângulo. Adoro aquela do mestre de falar profundo de forma bem simplesinha.
“Faltava abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre
O meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela
O meu caminho só
Único
Talvez eu seja
O último romântico
Dos litorais
Desse Oceano Atlântico...
Só falta reunir
A zona norte à zona sul
Iluminar a vida
Já que a morte cai do azul...
Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande
Prá poder chorar...
Me dá um beijo, então
Aperta a minha mão
Tolice é viver a vida
Assim, sem aventura...
Deixa ser
Pelo coração
Se é loucura então
Melhor não ter razão.” O Último Romântico Lulu Santos
Na imagem um pouco das minhas várias personagens!
inté