sexta-feira, julho 13, 2012

A vida é um sopro


Recentemente assisti um documentário sobre Oscar Niemeyer e como era de ser esperar falou-se bastante sobre Brasília e fui tomada imediatamente por uma saudade quase doída. Senti-me exilada da minha cidade. Vivo em Goiânia por opção há quase uma década, mas não me identifico completamente. Se eu usar a somente a razão para a análise devo apontar que Goiânia é uma cidade linda que Goiás tem um papel definitivo no desenvolvimento do centro-oeste e costumo dizer que sou “goiana do quadradinho”. Mas, o sentimento é outro. Goiânia é art decó um tanto quadrada com suas janelas iguais, são cruzamentos e quarteirões. sei lá me sinto oprimida e me falta sempre o horizonte.

Sinto saudades das curvas sensuais das tesourinhas, dos balões das entre quadras dos números das quadras. Identifico-me com os pilotis e após uma década vivendo numa cidade “normal” ainda acho estranho não passar por baixo de bloco algum. Gosto muito da ideia de dirigir ou andar em largas pistas e as distâncias sempre me fizeram pensar. Sim eu gosto das distâncias! As vezes saía de uma asa a outra e nesse percurso eu ficava pensando, solucionava problemas, adquiria outros, sentia saudade, raiva, medo encontrava pessoas dentro do meu coração, perdia outras, perdia coisas, achava ideias.Enfim, nesse vai e vem de uma ponta a outra eu vivia

Mesmo optando por não estar em Brasília a sensação de exílio tem relação com sentimento. Aquele sentimento daquela Brasília democrática, onde tudo estava ao alcance. Durante algumas décadas a capital do país viveu o ideal imaginado por seus idealizadores. As pessoas pareciam mais próximas , a escola pública servia aos filhos dos políticos e a comunidade das quadras. Andava-se a pé pelo eixão após uma festa e os pilotis dos prédios era points de encontro da galera todo mundo curtia ficar “embaixo do bloco”. È desse exílio que eu falo. Sinto-me expulsa dessa Brasília quase ingênua, menos competitiva, mais igualitária. Não concebo a ideia da ocupação dos espaços vazios. Alguns vão dizer que essa é a ordem natural das coisas e que tudo muda. Bom, talvez sim, mas deve ser por isso então que saí de Brasília não suportaria viver numa outra capital da esperança.

Nas fotitas um pouco de BSB e seus idealizadores