Recentemente assisti um
documentário sobre Oscar Niemeyer e como era de ser esperar falou-se bastante
sobre Brasília e fui tomada imediatamente por uma saudade quase doída. Senti-me
exilada da minha cidade. Vivo em Goiânia por opção há quase uma década, mas não
me identifico completamente. Se eu usar a somente a razão para a análise devo
apontar que Goiânia é uma cidade linda que Goiás tem um papel definitivo no
desenvolvimento do centro-oeste e costumo dizer que sou “goiana do quadradinho”.
Mas, o sentimento é outro. Goiânia é art decó um tanto quadrada com suas
janelas iguais, são cruzamentos e quarteirões. sei lá me sinto oprimida e me
falta sempre o horizonte.
Sinto saudades das curvas
sensuais das tesourinhas, dos balões das entre quadras dos números das quadras.
Identifico-me com os pilotis e após uma década vivendo numa cidade “normal”
ainda acho estranho não passar por baixo de bloco algum. Gosto muito da ideia
de dirigir ou andar em largas pistas e as distâncias sempre me fizeram pensar.
Sim eu gosto das distâncias! As vezes saía de uma asa a outra e nesse percurso
eu ficava pensando, solucionava problemas, adquiria outros, sentia saudade,
raiva, medo encontrava pessoas dentro do meu coração, perdia outras, perdia
coisas, achava ideias.Enfim, nesse vai e vem de uma ponta a outra eu vivia
Mesmo optando por não estar em Brasília a sensação de exílio
tem relação com sentimento. Aquele sentimento daquela Brasília democrática,
onde tudo estava ao alcance. Durante algumas décadas a capital do país viveu o
ideal imaginado por seus idealizadores. As pessoas pareciam mais próximas , a
escola pública servia aos filhos dos políticos e a comunidade das quadras.
Andava-se a pé pelo eixão após uma festa e os pilotis dos prédios era points de
encontro da galera todo mundo curtia ficar “embaixo do bloco”. È desse exílio
que eu falo. Sinto-me expulsa dessa Brasília quase ingênua, menos competitiva,
mais igualitária. Não concebo a ideia da ocupação dos espaços vazios. Alguns
vão dizer que essa é a ordem natural das coisas e que tudo muda. Bom, talvez
sim, mas deve ser por isso então que saí de Brasília não suportaria viver numa
outra capital da esperança.
Nas fotitas um pouco de BSB e seus idealizadores
Nas fotitas um pouco de BSB e seus idealizadores

