terça-feira, abril 20, 2010

Parabéns





Amanhã minha cidade natal completa 50 anos e essa data promoveu o resgate de reflexões e lembranças em mim. Estava ensaiando essa “conversinha” há dias, mas só agora na véspera a saudade deu lugar a inspiração.
Quando eu nasci Brasília era uma adolescente de quinze anos e eu cresci sabendo exatamente o que significa, pilotis e combogo freqüentei escola parque e acredito (acreditava) que todo céu podia ser azul como o do planalto central. Tornei-me adolescente ouvindo músicas compostas por amigos de amigos que de repente se tornaram roqueiros e me orgulho de ter apreciado de perto a everfescencia do nascimento ou renascimento do rock nacional.
A vida adulta chegou e não deu pra estudar na Unb, mas continuei acordando todos os dias com um horizonte infinito que era testemunha de perdas e ganhos.
Fiquei saudosa sim! Aliás, muitíssimos, esses 50 anos da minha terra, minha casa, minhas referências trouxeram o despertar de sonhos desfeitos e planos abortados. Em meio a inúmeras reportagens e documentários onde candangos, brasilienses e seus filhos discorriam com viram a cidade nascer e se desenvolver senti saudade, tristeza, alegria, inveja. Virei profeta do passado revisitei histórias, amores e por do sol inesquecíveis, noites de verão nas entre quadras, risos, beijos, silêncio.

No fim de tudo, ou seja, hoje, me dei conta que não havia motivo pra cultivar fracassos ou saudosismo piegas, como brasiliense típica influenciada pela presença de um horizonte infinito vivo numa outra cidade numa espécie de “candanguismo ao contrário” reafirmando o espírito livre que é marca dos filhos da capital da espererança.

Parabéns Brasília amada obra de arrojo que é Brasília.
Nós temos a oitava maravilha. Brasília capital da esperança!

Nas fotitas olhares profissionais e amadores da estonteante capital federal

sexta-feira, abril 09, 2010

Muletas



Minha cabeça está sempre a mil. Pareço ser calma e carrego o “rótulo” de distraída desde a infância, mas, aqui dentro da cachola tem um turbilhão acontecendo. Nada ou quase nada passa por mim sem uma mínima elaboração, chega a ser chato. Detalhes, pessoas, situações prosaicas tudinho passa por uma elaboração, ainda que instantânea. Pois é uma dessas situações cotidianas me pegou de jeito essa semana. Ostento lindos óculos de leitura aos 34 anos!! Sim, aqueles que ficam na ponta do nariz adequando o foco para enxergar de perto. Então esse simples ato de procurá-los me fez refletir sobre muletas, ou melhor, sobre artifícios, subterfúgios, fugas, etc e tal...
Temos muitas não é?? Principalmente quando as coisas não vão vem. Se os problemas do coração se anunciam a culpa é do Freud que descobriu a tal sexualidade e se não bastasse isso o pior é que ela (a sexualidade) começa na infância. Então a escolha errada do namorado tem como culpado o pai ou a mãe e o problema começa na infância! Aff.. Agora se o tendão de Aquiles é o dinheiro a culpa é da globalização excludente e da falta de oportunidade. Se a pessoa é isolada, chata ou egoísta a culpa são dos outros que não tem habilidade ou paciência para lidar com a diferença. Enfim, a todo o momento estamos usando muletas para suportar ou lidar com os fracassos da vida. Não alcançar êxito em qualquer coisa é sempre frustrante ainda mais nesse mundo que vivemos onde “fazer a diferença” e “trazer resultados”, é quase uma obrigação. Fica difícil acreditar que vivemos num mundo livre quando até mesmo a falta de resultados não é admitida como algo humano. Acertar sempre, fazer a diferença é tão complicado que admitir os erros é quase inadmissível....então e por isso mesmo:Dá-lhe muletas!! Eu tenho as minhas e você?

Nas fotos homenageio criaturas que amo. Gabriel como sempre preenchendo todos os espaços e o tio Daniel que tá lindo e amei essa foto.