sábado, outubro 12, 2013

O telefonema

Uma hora e vinte e cinco minutos podem ser uma eternidade ou apenas um instante.
Uma hora e vinte e cinco minutos podem ser 125 possibilidades de ouvir e aprender
Mas uma hora e vinte e cinco minutos são 1250 sorrisos e exclamações!
12500 batidas do coração e a certeza de ser um pouco mais feliz e estar impregnada de você!
Um tanto de afeto e gratidão!
Muitos beijos

domingo, setembro 22, 2013

TOQUE


 

Sinto-me tocada pelas pessoas. Todas elas. Até mesmo aquelas que causam alguma repulsa ou raiva, ou medo, ou timidez ou qualquer outro sentimento humano. As pessoas mexem comigo e comovem, sempre. Gosto de rostos, principalmente olhos. Sou capaz de lembrar dos olhos de todos os homens que atraíram assim como dos olhares de gratidão e afeto dos meus alunos.

Sou ligada em vozes! Ouço a voz da minha mãe me acalmando ou a do meu filho me chamando e ambas me preenchem. Gosto mesmo de gente! Gravo palavras e gestos simples. Guardo mimos e demonstrações de carinho. Sinto saudade de conversar com gente que conheci uma única vez da mesma forma que lido com a falta dos amigos.

Gosto do calor de humano acho que nada substitui um abraço ou uma risada. Gosto mesmo das pessoas e não prescindo da necessidade de estar com elas, ainda que discordando ou caminhando para mundos diferentes.

Gosto de pessoas, todas elas. È quase necessidade de filha única! Vou assim vou exercitando a tolerância, o afeto, o medo, a confusão, o desejo, o amor. Com pessoas descobrimos cotidianamente como ser gente, assim a conta gotas!

segunda-feira, maio 20, 2013

O texto não é meu mas fala de algo que conheço bem e vai de encontro ao que penso. Preciosidade pura!


ABAIXO A REJEIÇÃO

O que fazer quando se adora uma pessoa e ela não acredita? Você pode se ajoelhar, cair de quatro, jurar, cortar os pulsos, atravessar o oceano a nado, mas não adianta: para cada um desses atos, ela vai encontrar uma razão – aliás, uma excelente razão – para dizer que é tudo mentira. E o pior é que não é. É a tal da rejeição, essa tragédia que existe dentro de todos nós e nos faz... achar que ninguém gosta da gente o suficiente. Ou melhor: como a gente precisa e merece ser gostado.
Começando pelo básico: alguém acha que é – ou foi – amado suficientemente por pai e mãe? Claro que não. E o dia em que os dois saíram para jantar fora e ir ao cinema, enquanto você, com 5 anos, queria que eles ficassem ao seu lado contando uma história? Há prova maior de que eles jamais gostaram de você? E quando os pais se separaram e um deles se apaixonou, mas o namoro não deu certo e pintou aquela tristeza? Alguém pode conversar com o filho pequeno, carinhosamente, dando toda a atenção do mundo, numa situação dessas? E quando, no auge da paixão, pinta um convite para um fim de semana de sonho e você propõe trocar o sábado e o domingo que ia passar com seu filho, ele acha o quê? Que é mais rejeitado e abandonado do que um menino de rua.
E vai tentar explicar: ele não vai entender nunca! Só que essa criança cresce, se apaixona, se casa, se separa, tem seus filhos e, quando age com eles exatamente como você já agiu no passado, nem assim compreende. Aos 50, 60 anos, o filho continua na análise, se queixando de ter sido rejeitado, como se fosse um bebê de colo, oh, vida! E por que razão o analista não abre os olhos daquele homão para mostrar que a vida está passando e ele continua atormentado, pensando no que acha que a mãe fez quando estava com 1, 2, 3 anos e ela agia com mais indiferença a ele do que a um cachorro vira-lata. Ah, Freud, não dava para ser mais simplesinho? Mostrar que tudo faz parte, que a vida deve ser aproveitada a cada segundo e a busca da felicidade é bem mais importante do que ficar chafurdando no passado por causa daquele dia em que sua mãe olhou atravessado para você? E daí se olhou? Quem não olha às vezes? Ah, quanto tempo perdido. Quantos momentos teriam sido tão ricos se mãe e filho pudessem falar francamente um para o outro: “Ah, naquele dia quase te matei de tanta raiva”.
E aí dar uma boa risada lembrando. Ou vai dizer que isso nunca aconteceu de mãe para filho e de filho para mãe? E todos os outros momentos em que a mãe amou – e ama – esse filho loucamente, mais que qualquer coisa na vida, mas ele cresceu e nunca mais isso foi dito, porque não é da nossa educação e da nossa cultura fazer declaração de amor a filho grande? Até porque ele é o primeiro a não querer ouvir depois que cresce. Que mundo mais louco... Ah, se a gente pudesse botar os filhos grandes no colo quando desconfia que estão tristes e abraçar, apertar, cobrir de beijos, como quando eram pequenos e tudo acabava em gargalhadas – deles e nossas. Mas agora que são enormes, adultos, Freud não aconselha mais. Agora, os problemas devem ser resolvidos com o diálogo – o que acaba não resolvendo nada. Ah, se eles soubessem; ah, se a gente conseguisse dizer. Se isso acontecesse, dava para ir no Aurélio e apagar, para sempre, a palavra REJEIÇÃO. Do dicionário só, não. Da nossa mente e, sobretudo, do nosso coração.

DANUZA LEÃO é cronista, autora de vários livros, entre os quais Fazendo as Malas (Cia. das Letras)

domingo, março 10, 2013

É fera e devora!



A solidão devora. Sei bem o que significa isso, até porque me submeti a algumas coisas na vida tentando evitá-la. De qualquer forma, todas as tentativas de fugir acabaram me levando exatamente a esse momento. Me sinto só e um tanto desiludida. Falo de uma solidão essencial de algo indelével e inevitável. Tenho pedido a Deus que faça desse fardo algo leve...mas me parece que a responsabilidade de carregá-lo é toda minha.

A solidão me faz invisível e ironicamente me recordo que a mulher do seriado (a mulher invisível) era linda desejável e mesmo se dando conta da sua total transparência mantinha uma relação quase alheia com isso. Pura esquizofrenia...

Sinto um aperto no peito e tento me conformar mas nem isso tem muita graça! Quero tão pouco, A maturidade me fez acreditar que as relações são trabalhadas, suadas e conquistadas. Mas nada disso me faz sair dessa clausura invisível. Lutei, trabalhei, entendi, sofri, desejei, esperei e estou aqui na carência de um beijo, na espera de um resgate...

Afinal: a solidão é fera a solidão devora!

Sem fotitas, imagens ou esperança.

inté