segunda-feira, março 15, 2010

Alô Doçura



Aconteceram tantas coisas de fevereiro pra cá! Mas não fui capaz de “captar” nenhuma delas transformando-a em pequenos textos. Inclusive isso é péssimo porque se estou no turbilhão e não escrevi nadinha quer dizer que aqui dentro está “aquele acúmulo" a moda propaganda de iogurte e nem tenho um potinho verde mágico para aliviar. Ai ai
Mesmo me refazendo de uma cirurgia no olho direito e prestes a fazer outra no olho que eu julgava são, duas coisas me chamaram a atenção na semana passada. Comecei lendo a minha revista semanal com vários dias de atraso e ávida por me atualizar de notícias velhas me deparei com uma reportagem impactante. Uma entrevista com uma intelectual, colega de profissão (infinitamente melhor sucedida como historiadora) que refletia sobre o 8 de março nesse início de século. O nome dela é Mary Del Priore que com sua beleza aguda e longa me fez relembrar o quanto nossa condição feminina ainda é precária. Li a reportagem enquanto velava o sono do meu filho e me apavorei diante do desafio de formar esse “novo homem” "para a nova mulher” que se anuncia desde a segunda metade do século passado. Ufa! E que entrevista! A bela Mary ( que além de linda é inteligente, ou seja, bastante subversiva nesse mundinho masculinizado) tocou em questões tão delicadas quanto óbvias, mas, principalmente bateu firme no modelo de mulher que cultuamos hoje. Perseguição a beleza e juventude eternas, jornada dupla, tripla, quintúpla, liberdade sexual e até representação política feminina tudo isso foi colocado não exatamente como conquistas. Ainda atordoada com impossibilidade de comemorar lucidamente o 8 de março iniciei a leitura de Divã da Marta Medeiros. Ler a gaúcha Marta é sempre prazeroso, suas tiradas ímpares, seu fluxo mental intenso e essa forma de dizer tudo com humor e leveza fazem dessa poetisa/escritora um retrato da multiplicidade do pensamento feminino. Do deleite imediato passei para a reflexão profunda, descobri que mesmo sendo uma mulher do século XXI que trabalha (ou ao menos tenta) e conquistou a liberdade de usar o corpo como quer (ou tenta) que recém ingressou na aventura da maternidade depois dos trinta como minhas contemporâneas não consigo me identificar com as “companheiras” sejam intelectuais ou não.
Sou romântica até o último fio de cabelo, pra mim sexo só é bom quando há alguma intimidade, vivo num núcleo familiar com mamãe e vovó. Considero temerário embarcar nesses relacionamentos onde o parceiro é um “namorido”, quero namorar mesmo!! Cada um na sua casa e depois da transa voltar pra minha própria cama de madrugada. Fazer pequenas viagens e jamais misturar contas ou problemas, não quero saber quem é a ovelha negra da família dele, considero determinadas distâncias e formalidades muito saudáveis. Pagar a conta, abrir a porta do carro, fechar a porta do banheiro, e por último ser sim a presença feminina que é, de fato, muito diferente da masculina.Preservar o espaço de mulher e nunca de fêmea!! São tantas questões que às vezes me sinto do século XIV. Talvez a minha porção Sex and City esteja mais para Alô Doçura. e porque não??

Estou sem câmera fotográfica e por isso capturei na internet a capa do livro Divã – Medeiros, Martha Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. E para completar uma foto da Mary Del Priore e sua lucidez urgente.