sexta-feira, outubro 29, 2010

Os amigos nos inspiram - Parte I


Infância contemplativa, adolescência tímida, mas por graça ou de graça entrei na vida adulta descolada e meio "caruda". Uffa ainda bem né?? A grande vantagem desse novo “alterego” é que comecei a ter muitos amigos. Vários, inúmeros. A cada dia da semana fazia um programa diferente com pessoas diversas. Boteco sujo com amigo mais velho. Balada produzida com amiga patricinha. Teatro chato com amigo intelectual. Happy Hour falando de trabalho com os colegas de trabalho. E ainda tinha turma da escola, da facul, do ex emprego, da antiga quadra etc etc e tal... E o celular tocava de segunda a domingo e eu indo a tudo me divertindo e aumentando os conhecidos e amigos e blá blá blá. Parecia a vida perfeita algo saído de um seriado de TV numa mistura de Sex and City, Barrados no Baile e Melrose.

De repente, numa crise de vazio existencial mudei de vida!Mudei de cidade, hábitos e comecei a esquecer os nomes dos conhecidos e dos bares da moda troquei aquela quantidade toda por nem sei bem o quê!!!! Digerindo esse novo momento percebi quem são os verdadeiros amigos. Senti falta daquele bate papo descompromissado ao telefone ou do desabafo ofegante na mesa do bar numa sexta-feira. Essa falta também passou e comecei a usufruir do carinho, do verdadeiro afeto que a amizade oferece. Aquela sensação única de receber um telefonema de um amigo que sonhou com você justo naquela noite, em que na arrumação do armário, você mesmo encontrou uma foto engraçada ou um bilhetinho sem sentido. Ser lembrado no aniversário com um lindo e-mail ou cartão receber uma visita, dar aquele abraço apertado repleto de histórias e cumplicidades.

Nos últimos dois meses fui agraciada com várias manifestações carinho de antigos e sinceros amigos. Visitas, e-mails, telefonemas ...enfim uma avalanche de afeto que me fez reafirmar o valor dos meus queridos e importantes amigos. Não são muitos, cabem na palma de uma mão, mas, são especiais lindos, inteligentes, únicos e muito, muito amados por mim.

Na fotita um momento muito especial o casamento da minha mais antiga amiga, aquela que conhece até a minha respiração, que me viu crescer, virar professora, mãe e tantas outras coisas que nem lembro. Aquela que faz parte da minha vida de forma definitiva e eterna. Obrigada Ivna! Carrego você sempre comigo. Forte abraço.

sábado, agosto 28, 2010

A única coisa a fazer é tocar um tango argentino


Tenho uma prima muito engraçada e igualmente inteligente. Volta e meia ela me manda uns e-mails que ao ver o remetente me preparo para boas gargalhadas. Só que essa semana ela (ou seria o destino?) me pregou uma peça e recebi uma mensagem com o título Diga trinta e três de um tal Antonio Prata. Automaticamente me lembrei do Pneumotórax do Manoel Bandeira que li na adolescência para um trabalho escolar, só que o Diga Trinta e Três da minha prima gaiata me fez, ao final da leitura, ouvir um tango argentino.
Os trinta e três do atual Antonio Prata refletem essa “neura” moderna onde vivemos mais tempo, porém, tudo tem que acontecer mais cedo. O primeiro milhão deve surgir antes dos 25 o doutorado antes dos 30 e um monte de realizações antes dos 40. E então fiquei pensando que engrosso a fila daqueles que ainda não conquistaram aquilo que se espera: nada de casa própria, nem dinheiro aplicado, nem reconhecimento profissional a altura. A única coisa realmente realizada é o meu filho, mas ainda falta o cachorro, a casa com piscina, as férias de verão e o marido com dentes brancos. Depois dessa chacoalhada da minha kusin fui dormir assim meio de ressaca, preocupada com o tempo e meio frustrada, o exemplo do Rimbaud acabou comigo.
Na manhã seguinte, quase fui comprar um livro de auto ajuda o Augusto Cury (se bem que ele foi guru do Dunga aff) Shinyashiki e Max Lucado rondavam meu pensamento e eu relfetia: se eles dão a fórmula eu quero aprender!
Um pouco perturbada com a idéia de comprar esses livros parei pra ver um programa de televisão com o Luan Santana (sim aquele do meteoro da paixão!) a volta dele meninas chorando com espinhas na cara e a apresentadora sem saber como receber o ícone teen tentava parecer mais jovem também. Passou na minha cabeça um filminho protagonizado pelas minhas espinhas, o professor de matemática, o de física, o de química, o drama de ter muito peito e sem seguida o de ter pouca bunda, as amigas que me roubaram namorados as disputas idiotas os estágios que fui explorada e um montão de “crises” que vivi antes dos trinta. UfA! Os milhões, a família de margarina e as luzes do sucesso ainda não vieram e podem nunca aparecerem pra mim, mas ganhei algo mais seguro e duradouro ao dizer Trinta e Três. Consegui um tanto de maturidade que me fazem encarar a vida como ela deve ser e ir galgando aquilo que de fato combina comigo e me fará feliz.
Já pensou se volto aos 15? Poderia gostar do Luan Santana...aff...que perigo!

Fotita minha mesmo.

terça-feira, agosto 03, 2010

Mufa gasta!




Abandonado e negligenciado blog. Quase dois meses sem escrever nada. Falta de tempo de tema e também de disposição. Coisas interessantes aconteceram. Mas, a “mufa” anda meio fraca e cansada. Vai aí umas fotitas só pra não ficar em branco. Depois penso em escrever algo legal, por enquanto férias de pensar. Alguns podem pensar que agosto não é período de férias mas recorro a uma antiga estratégia de uma extinta loja de eletrodomésticos quem não se lembra do “papai noel de agosto”? Então, Nininha de férias de pensar em agosto.

Inté

quarta-feira, junho 30, 2010

Sou uma gracinha!





Sempre digo que após alguns anos de vida e outros tantos reais em terapia não me surpreendo e não sou surpreendida por nada, ou quase. Ao se chegar a casa dos trinta a gente percebe que deixou de ser criança e inicia a fase do apoderamento. Sim, a-po-de-ra-mento!Ou melhor, momento de se apoderar das coisas de forma intensa. Aos trinta engata-se definitivamente a vida profissional, tem-se filhos (momento ideal pra nós mulheres) enfim a gente toma conta da própria cabeça e do corpo também. Quem não der conta de se suportar vai entrar numa forte crise e os “enta”(40,50,60, etc...) vão pesar de verdade.
Eu me apoderei de várias coisas. Da maternidade, dos meus pensamentos, dos meus pontos de vista e da minha auto-estima. Desde que me assumi como mãe, professora, filha, amiga, sozinha e a procura, me dei conta de que esta sou eu! E que além disso, sou vitoriosa na construção da minha própria trajetória e por ter conquistado tantas coisas abstratas (abstrato: Aquilo que se considera existente apenas no domínio das idéias, sem base matéria – ainda que a maternidade seja concreta com a existência do Gabriel é não –concreta no campo dos sentidos e na sua amplitude). Deve ser por isso que tenho conseguido usufruir sem dor de coisas que antes me fariam penar.
Consigo esperar com alguma dose de serenidade a colocação profissional que desejo por que sei o quanto sou capaz e pretendo investir nisso. Me proponho a dialogar (ou tentar) com aqueles que amo sem precisar, necessariamente, buscar palavras ou engolir pontos de vista a fim de não aborrecê-los (as custas do meu incômodo) não quero provocar ninguém mas quem ama livremente aponta determinadas coisas que de fato edificam. Dizer sim sim sim sempre não ajuda em nada! Faz parte do crescimento ser contrariado e ouvir “verdades” e quem não der conta de ouvir as minhas quer dizer que está em descompasso comigo. O que não chega a ser uma sentença de distanciamento, mas, talvez aponte para um caminho de reconstrução e rafazimento. Sou capaz de conhecer alguém e não sofrer com a angústia de ser ou não desejada, de me entregar ao momento e resistir ao jogo de promover soma e não a cobrança. Sei quem sou e já percebo bastante do que quero! Isso tudo me faz livre e como é bom!!! Afinal:”Meus amigos são estranhos, Minha família é estranha, Meu namorado é estranho, Eu não...eu sou uma gracinha!!"(autor desconhecido)

Para finalizar: angústia é o medo disfarçado (Cícero Sampaio)

Nas fotitas momentos legais com gente legal em junho de 2010 ano de Copa do Mundo

sexta-feira, junho 04, 2010

Rotininha




Acordo com sono! Tento fazer o Gabriel dormir de novo: em vão!Atravesso três bairros da cidade e estou de volta em casa antes das nove da manha. Tento fazer o Gabriel comer algo, qualquer coisa mesmo, até meia bolacha com um copo de água vale: às vezes algum sucesso. Atendo telefonemas, confiro extratos, procuro boletos, olho bem rápido o jornal e tento entender a receita da Ana Maria Braga. Já passa das 10h00min não consigo tomar banho e meu celular toca...sou convocada para uma emergência. Entro no carro de novo. Acomodo o Gabriel na cadeirinha. Ele chora, Não ligo. Acomodo-me na minha cadeira e confiro o combustível, reflito se dá pra chegar ao destino, faço contas de cabeça, confiro a bolsa. Gabriel berra! Gabriel berra muito alto! Sigo num trânsito normal onde pessoas avançam sinais, não respeitam faixa de pedestre, cortam por todos os lados e sou sempre acompanhada por motoqueiros Kamikazes. Cumpro com minha “emergência” o celular toca mais uma vez e preciso fazer o retorno com o celular ainda no ouvido para seguir rumo ao supermercado. Recebo por telefone uma lista de compras, vou seguindo as instruções mas o Gabriel tem os desejos dele que incluem jogar fora o que já coloquei no carrinho. Fico irritada! Banco a super Nani, olho nos olhos dele falo firme e baixo ele entende ri e além de jogar no chão (com força o que tem nas mãos) tenta me bater. Fico nervosa, esqueço a Nani e grito com ele. Na imensa fila do caixa o Gabriel sorri e faz gracinhas, esqueço o quanto ele me dá trabalho e fico amando-o mais ainda. Com o estômago roncado chego em casa ao meio dia. Organizo o almoço do meu filho (Gabriel) ele corre a casa toda se arriscando na quina dos móveis, separo a roupinha para o banho que vem em seguida. Tento dar o almoço e comer ao mesmo tempo. Nem um dos dois come direito. Desisto do meu almoço alimento meu rebento, na intenção de comer também, traço o resto da comidinha dele (gostosa bem gostosa). Banho e soninho da tarde. Assim que ele dorme torço pra que ele acorde no fim da tarde, mas, penso que se isso acontecer ele não dorme de noite. Então, fico satisfeita com qualquer tempo de sono e traço um plano pra aproveitar essa cesta da melhor forma. Talvez eu tome banho e tome uma xícara de café assistindo o Vídeo Show.
O banho é rápido e já tenho que saber o que vou vestir. Sigo para o banco com os boletos que encontrei, os sumidos ficam para ao dia seguinte. Na volta encontro uma conhecida e conversamos uns 10 minutos e estou atrasada nem sei pra quê. Atendo mais telefonemas e corro para mais “emergências”, o celular toca no trânsito tenho algo sério pra ouvir ou resolver. No segundo seguinte o celular toca de novo. Corro pra casa!Aliás, vôo pra casa e me equiparo aos motoqueiros Kamikazes. São 17h30min e atravesso de novos os três bairros. Repito a trinca: comida, banho e colocar pra dormir. Gabriel quer brincar, brincamos um pouco. Fico arranhada e dolorida. De repente, o tempo dá um salto e são 23hs confiro e-mails e às vezes atualizo meu blog! Faço qualquer coisa planejando o dia seguinte na esperança de encaixar a manicure, a tintura no cabelo, e alguns momentos de ócio. Por acaso tenho direito a isso????Mesmo que não tenha: EU PRECISO DE ÓCIO. ONDE ANDARÁ O ÓCIO???Se alguém souber como adquiri-lo me avise. Aff!!

quarta-feira, maio 05, 2010

Quem tem ouvido ouve cada coisa!




Quem tem ouvido ouve cada coisa!! Sentada em frente à TV na esperança de me informar melhor sobre o que as passou no dia de hoje ouço uma “pérola” do ilustre senador da República justificando uma posição como algo “que acontece em ano de eleição.” Como assim ano de eleição? Por acaso existe uma opinião ou atitude específica a cada quatro anos? O que não pode nessa data?Ainda intrigada com a explicação do bigodudo com cadeira cativa no poder, me deparo com algo ainda mais maluco. Um Senhor que se declara religioso diz que a pedofilia está na sociedade. Ou seja, a sociedade é pedófila e isso explicaria a onda de “religiosos” adeptos a essa prática abominável. Depois de ouvir tudo isso e tentar reorganizar meu pensamento fiquei automaticamente triste com a constatação da profunda crise de valores em que nosso mundo está mergulhado.
E me preocupo especialmente como mãe e professora. Porque são dois postos onde é preciso apresentar e reforçar valores. Na verdade, não me preocupo muito em bater em teclas diferentes do que vemos ou ouvimos na TV. Assusta-me mesmo ver em que mundo estou inserindo o ser que mais amo. O que sobra para o Gabriel? Políticos assumindo que agem convenientemente (concordando com a conveniência particular deles, claro!!) isso em pleno jornal das oito e sem nenhum pudor? Ou padres perversos que ignoram as dores humanas em nome de satisfazer suas deformidades carnais? Alguém que abusa de uma criança despreza a vida como um todo. Uma criança é uma semente oferecida a sociedade, quem maltrata um inocente se revela não humano e totalmente indiferente a dor do outro. O político que assume relativisar as coisas para atender interesses próprios também despreza a sociedade. Isso sim me assusta e me apavora, mas, ao mesmo tempo me sinto convocada a tentar oferecer ao mundo uma pessoa melhor. Tomara que eu consiga....



Nas fotitas meu amorzão: grande, esperto e sapeca.

terça-feira, abril 20, 2010

Parabéns





Amanhã minha cidade natal completa 50 anos e essa data promoveu o resgate de reflexões e lembranças em mim. Estava ensaiando essa “conversinha” há dias, mas só agora na véspera a saudade deu lugar a inspiração.
Quando eu nasci Brasília era uma adolescente de quinze anos e eu cresci sabendo exatamente o que significa, pilotis e combogo freqüentei escola parque e acredito (acreditava) que todo céu podia ser azul como o do planalto central. Tornei-me adolescente ouvindo músicas compostas por amigos de amigos que de repente se tornaram roqueiros e me orgulho de ter apreciado de perto a everfescencia do nascimento ou renascimento do rock nacional.
A vida adulta chegou e não deu pra estudar na Unb, mas continuei acordando todos os dias com um horizonte infinito que era testemunha de perdas e ganhos.
Fiquei saudosa sim! Aliás, muitíssimos, esses 50 anos da minha terra, minha casa, minhas referências trouxeram o despertar de sonhos desfeitos e planos abortados. Em meio a inúmeras reportagens e documentários onde candangos, brasilienses e seus filhos discorriam com viram a cidade nascer e se desenvolver senti saudade, tristeza, alegria, inveja. Virei profeta do passado revisitei histórias, amores e por do sol inesquecíveis, noites de verão nas entre quadras, risos, beijos, silêncio.

No fim de tudo, ou seja, hoje, me dei conta que não havia motivo pra cultivar fracassos ou saudosismo piegas, como brasiliense típica influenciada pela presença de um horizonte infinito vivo numa outra cidade numa espécie de “candanguismo ao contrário” reafirmando o espírito livre que é marca dos filhos da capital da espererança.

Parabéns Brasília amada obra de arrojo que é Brasília.
Nós temos a oitava maravilha. Brasília capital da esperança!

Nas fotitas olhares profissionais e amadores da estonteante capital federal

sexta-feira, abril 09, 2010

Muletas



Minha cabeça está sempre a mil. Pareço ser calma e carrego o “rótulo” de distraída desde a infância, mas, aqui dentro da cachola tem um turbilhão acontecendo. Nada ou quase nada passa por mim sem uma mínima elaboração, chega a ser chato. Detalhes, pessoas, situações prosaicas tudinho passa por uma elaboração, ainda que instantânea. Pois é uma dessas situações cotidianas me pegou de jeito essa semana. Ostento lindos óculos de leitura aos 34 anos!! Sim, aqueles que ficam na ponta do nariz adequando o foco para enxergar de perto. Então esse simples ato de procurá-los me fez refletir sobre muletas, ou melhor, sobre artifícios, subterfúgios, fugas, etc e tal...
Temos muitas não é?? Principalmente quando as coisas não vão vem. Se os problemas do coração se anunciam a culpa é do Freud que descobriu a tal sexualidade e se não bastasse isso o pior é que ela (a sexualidade) começa na infância. Então a escolha errada do namorado tem como culpado o pai ou a mãe e o problema começa na infância! Aff.. Agora se o tendão de Aquiles é o dinheiro a culpa é da globalização excludente e da falta de oportunidade. Se a pessoa é isolada, chata ou egoísta a culpa são dos outros que não tem habilidade ou paciência para lidar com a diferença. Enfim, a todo o momento estamos usando muletas para suportar ou lidar com os fracassos da vida. Não alcançar êxito em qualquer coisa é sempre frustrante ainda mais nesse mundo que vivemos onde “fazer a diferença” e “trazer resultados”, é quase uma obrigação. Fica difícil acreditar que vivemos num mundo livre quando até mesmo a falta de resultados não é admitida como algo humano. Acertar sempre, fazer a diferença é tão complicado que admitir os erros é quase inadmissível....então e por isso mesmo:Dá-lhe muletas!! Eu tenho as minhas e você?

Nas fotos homenageio criaturas que amo. Gabriel como sempre preenchendo todos os espaços e o tio Daniel que tá lindo e amei essa foto.

segunda-feira, março 15, 2010

Alô Doçura



Aconteceram tantas coisas de fevereiro pra cá! Mas não fui capaz de “captar” nenhuma delas transformando-a em pequenos textos. Inclusive isso é péssimo porque se estou no turbilhão e não escrevi nadinha quer dizer que aqui dentro está “aquele acúmulo" a moda propaganda de iogurte e nem tenho um potinho verde mágico para aliviar. Ai ai
Mesmo me refazendo de uma cirurgia no olho direito e prestes a fazer outra no olho que eu julgava são, duas coisas me chamaram a atenção na semana passada. Comecei lendo a minha revista semanal com vários dias de atraso e ávida por me atualizar de notícias velhas me deparei com uma reportagem impactante. Uma entrevista com uma intelectual, colega de profissão (infinitamente melhor sucedida como historiadora) que refletia sobre o 8 de março nesse início de século. O nome dela é Mary Del Priore que com sua beleza aguda e longa me fez relembrar o quanto nossa condição feminina ainda é precária. Li a reportagem enquanto velava o sono do meu filho e me apavorei diante do desafio de formar esse “novo homem” "para a nova mulher” que se anuncia desde a segunda metade do século passado. Ufa! E que entrevista! A bela Mary ( que além de linda é inteligente, ou seja, bastante subversiva nesse mundinho masculinizado) tocou em questões tão delicadas quanto óbvias, mas, principalmente bateu firme no modelo de mulher que cultuamos hoje. Perseguição a beleza e juventude eternas, jornada dupla, tripla, quintúpla, liberdade sexual e até representação política feminina tudo isso foi colocado não exatamente como conquistas. Ainda atordoada com impossibilidade de comemorar lucidamente o 8 de março iniciei a leitura de Divã da Marta Medeiros. Ler a gaúcha Marta é sempre prazeroso, suas tiradas ímpares, seu fluxo mental intenso e essa forma de dizer tudo com humor e leveza fazem dessa poetisa/escritora um retrato da multiplicidade do pensamento feminino. Do deleite imediato passei para a reflexão profunda, descobri que mesmo sendo uma mulher do século XXI que trabalha (ou ao menos tenta) e conquistou a liberdade de usar o corpo como quer (ou tenta) que recém ingressou na aventura da maternidade depois dos trinta como minhas contemporâneas não consigo me identificar com as “companheiras” sejam intelectuais ou não.
Sou romântica até o último fio de cabelo, pra mim sexo só é bom quando há alguma intimidade, vivo num núcleo familiar com mamãe e vovó. Considero temerário embarcar nesses relacionamentos onde o parceiro é um “namorido”, quero namorar mesmo!! Cada um na sua casa e depois da transa voltar pra minha própria cama de madrugada. Fazer pequenas viagens e jamais misturar contas ou problemas, não quero saber quem é a ovelha negra da família dele, considero determinadas distâncias e formalidades muito saudáveis. Pagar a conta, abrir a porta do carro, fechar a porta do banheiro, e por último ser sim a presença feminina que é, de fato, muito diferente da masculina.Preservar o espaço de mulher e nunca de fêmea!! São tantas questões que às vezes me sinto do século XIV. Talvez a minha porção Sex and City esteja mais para Alô Doçura. e porque não??

Estou sem câmera fotográfica e por isso capturei na internet a capa do livro Divã – Medeiros, Martha Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. E para completar uma foto da Mary Del Priore e sua lucidez urgente.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Ùltimo Romântico


Dizem que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. E nós brasileiros temos um pouco de vergonha disso e entre os dentes sentenciamos: “o ano só começa depois do carnaval”. Eu mesma em discursos inflamados defendi que a indolência do carnaval fosse absolutamente banida. Porém, após alguns anos de vida e uns tantos reais investidos em terapia reconheço o quanto um “tempo”, um “intervalo” ou uma “desacelerada” são preciosos. A inteligência da natureza mostra isso em todas as espécies há um momento de atividade intensa e outro de descanso. Por que não podemos ser assim? Qual o problema de começar devagar e soltar os bichos zerando tudo? Porque o carnaval é isso: soltar os bichos, uma forma de se perder pra depois se achar. Defendo o espírito carnavalesco se perder e se achar viver um outro personagem para na quarta-feira de cinzas encarar a realidade e se encarar sob um outro ângulo. Adoro aquela do mestre de falar profundo de forma bem simplesinha.
“Faltava abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre
O meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela
O meu caminho só
Único
Talvez eu seja
O último romântico
Dos litorais
Desse Oceano Atlântico...
Só falta reunir
A zona norte à zona sul
Iluminar a vida
Já que a morte cai do azul...
Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande
Prá poder chorar...
Me dá um beijo, então
Aperta a minha mão
Tolice é viver a vida
Assim, sem aventura...
Deixa ser
Pelo coração
Se é loucura então
Melhor não ter razão.” O Último Romântico Lulu Santos


Na imagem um pouco das minhas várias personagens!

inté

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Sim eu vi!!!





Estou me recuperando da experiência de ver. Dois episódios recentes me permitiram algo mais do que simplesmente enxergar. Fui submetida a uma cirurgia no olho direito e em menos de 24 horas pude rever certos detalhes que andavam desbotados. O céu da cidade bem mais azul, aquela sandalinha vermelha que comprei justamente por ser vermelha estava ainda mais vermelhinha. Os olhos negros do meu filho parecem duas lindas jóias. Como pude perder tanta beleza!Um outro acontecido envolveu algo bem mais profundo e passei a ver com a alma. Parece sublime ver com a alma, mas, pra mim ver além daquilo que eu enxergava revelou-se doloroso. Fiquei me perguntando a quanto tempo a escuridão vivia dentro de mim e não consegui me lembrar de ter vivido algo parecido. Tem uma música do Cazuza que diz: “Os ignorantes são mais felizes
Eles não sabem quando vão morrer. Eu Não. Eu sei que eu tenho um encontro marcado (Ombra Mai Fu-Cazuza)” O poeta fala de uma morte iminente e da dor de ter que encarar o obscuro. Posso falar da alegria despretensiosa da igonrância crédula de acreditar e gostar incondicionalmente e de repente perceber que o Ser Humano (todos até os bem próximos da gente) são ressentidos, padecem de sentimentos mesquinhos e nada nobres. Deixei o mundo dos ignorantes. Que pena! Daqui uns dias tudo passa a alegria retorna completamente, mas, a leveza da ignorância estará perdida. C'est La Vie.


Falando em ver e rever fotitas de uma adorável amiga que andava sumidinha. Momento descontração com tio Àlvaro.E da luz eterna dos meus olhos: Gabrielzão!!!!!!!

terça-feira, janeiro 26, 2010

Tempo mano velho.




Sem justificativas para não postagem. Detesto ser repetitiva! Os últimos dias foram rápidos, resolvi fazer um check up e começando de cima para baixo os olhos foram a primeira parada. E aí descobri que meus olhinhos carecem de reparos, algo que deveria aparecer lá pelos 60 anos surgiu agora com pelo menos 3 décadas de antecedência. Espero que outras coisas também se adiantem como exemplo sabedoria, estabilidade emocional e econômica. Seria ótimo brincar com o tempo a meu favor. Mas porque será que tenho a sensação de que o tempo se comporta como um feitor. Manda, desmanda, determina e eu ali no cantinho sem conseguir alterar o cenário como gostaria.” Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei Pra você correr macio”. Fora as reflexões e angústias a vidinha tá legal. A cada dia que passa fica melhor estar ao lado do meu filho e todas as coisas boas que uma nova vida traz. Mamãe, vovó, tias e todo mundo babando e se renovando por causa do Gabriel. Isso aquece meu coração. Acredito que felicidade é isso. Porque ser feliz será sempre uma decisão e a vinda do meu bebê me fez decidir por ser sempre muito feliz.



Nas fotitas família, lindos como sempe!
Gabriel com nariz ralado arrasando.
Tia Lourdes lindonaaaa

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Ano Novo Postagem Nova






Comecei o ano bem. Fiz como de costume pedidos e renovei promessas, inclusive as clássicas como emagrecer e estudar para concurso público. Para garantir a validade dessas mudanças iniciei 2010 com uma devassa no meu armário. Coloquei “pra andar” tudo aquilo que não usava mais, digo TUDO MESMO! Até aquele jeans 42 meio 40 que guardava como símbolo de uma meta a ser atingida. Nesse pacote ‘pra andar’ entraram também presentes (de ex-namorados os legais e os nem tanto assim) e lembranças que atravancavam o renovo que 2010 merece. 2009 teve seu valor porque foi o primeiro ano completo que passei ao lado do meu filho e isso tem um doce sabor difícil de descrever, mas, espero que esse novo ano venha repleto de coisas que ainda não tenho e preciso muito.

Passei uns dias fora como a família toda para recarregar baterias. Foi ótimo e por isso fotitas da nossa aventura.

inté
ps: "pra andar" significa para bem longe de mim ou descarte total!