segunda-feira, novembro 08, 2021

O insistente

 

Goiânia 07, de novembro de 2021.

 

 O insistente

 

Tentei fugir desse texto, ah como tentei! Num misto de preguiça em abrir o computador e uma vontade de guardar essas palavras pra depois. Só que não teve jeito, ele, o texto, insistia em nascer e a palavras começaram a brotar na minha cabeça. Ainda convicta que procrastinar era a melhor decisão deitei e quietinha na minha cama e veio uma imagem. A gente acordando num domingo qualquer desses infinitos dois meses desde que nos conhecemos, você me saúda com um “olá, bom dia” me enche de abraços. Diante dessa imagem resolvi reorganizar o texto, senti que ele tem bem mais força do que eu imagino, mais força que minha preguiça. A imagem me trouxe a letra R de Rubens e R de romantismo. Essa ideia de romantismo abandonada completamente por mim e fruto de uma elaboração re-construída, liberta da toxicidade do ideário romântico. Um romantismo que se alinha ao afeto a simplicidade de desejar estar presente no aqui e agora respeitando quem está junto na cena. Ainda assim faço um esforço pra te encaixar na velha ideia do “romântico” e me pergunto como você seria nesse conto de fadas. Um príncipe artista da vila vestindo camisas coloridas, com a voz rouca, criador de performances alusivas ao Modernismo, com instalações que piscam e emitem sons, com gatos, com a mania de matar formiguinhas do chão e detentor de um olhar profundo e perscrutador.

Nada está dado não é Rubens? Nem respirar está dado, nem o caminhar está dado...NADA nos é dado! E eu fico ali absorvendo suas reflexões, ouvindo, aprendendo, assim meio boba, meio perplexa. Porque afinal de contas por onde você andou? Onde você estava que a gente não se esbarrou antes? Por onde você carregou certas inquietações que também habitam minha cabeça? De onde vem essa deliciosa despretensão que te traz a mim para além da diferença de uma década ou depois de tantos corações partidos.? Com tudo e, contudo, resiste essa crença que resolveremos ,cada um na sua terapia, os seus “problemas com as mulheres” e os meus “problemas com os homens”. Pergunto de novo: onde você estava? Naquele aplicativo? Por quanto tempo? Todo o tempo? Tempo, tempo mano velho. Nos conhecemos ali e a partir dos quadradinhos brancos e verdes e de encontro em encontro vamos nos aproximando, vivendo desse gozo instantâneo e infinito da conversa do sexo e do abraço. Dos selinhos cuidadosos e do beijo na mão durante a viagem entre a sua casa e a minha. É bom porque é leve, adulto, verdadeiro e sem cobrança! É bom porque é nosso! R de Rubens e R de Rosa! Obrigada por você existir. Até o próximo encontro!

 

bjs