Goiânia 07, de novembro de 2021.
Tentei fugir desse texto, ah como
tentei! Num misto de preguiça em abrir o computador e uma vontade de guardar
essas palavras pra depois. Só que não teve jeito, ele, o texto, insistia em
nascer e a palavras começaram a brotar na minha cabeça. Ainda convicta que
procrastinar era a melhor decisão deitei e quietinha na minha cama e veio
uma imagem. A gente acordando num domingo qualquer desses infinitos dois meses desde
que nos conhecemos, você me saúda com um “olá, bom dia” me enche de abraços. Diante
dessa imagem resolvi reorganizar o texto, senti que ele tem bem mais força do
que eu imagino, mais força que minha preguiça. A imagem me trouxe a letra R de
Rubens e R de romantismo. Essa ideia de romantismo abandonada completamente por
mim e fruto de uma elaboração re-construída, liberta da toxicidade do ideário
romântico. Um romantismo que se alinha ao afeto a simplicidade de desejar estar
presente no aqui e agora respeitando quem está junto na cena. Ainda assim faço
um esforço pra te encaixar na velha ideia do “romântico” e me pergunto como você
seria nesse conto de fadas. Um príncipe artista da vila vestindo camisas
coloridas, com a voz rouca, criador de performances alusivas ao Modernismo,
com instalações que piscam e emitem sons, com gatos, com a mania de matar
formiguinhas do chão e detentor de um olhar profundo e perscrutador.
Nada está dado não é Rubens? Nem respirar
está dado, nem o caminhar está dado...NADA nos é dado! E eu fico ali absorvendo
suas reflexões, ouvindo, aprendendo, assim meio boba, meio perplexa. Porque
afinal de contas por onde você andou? Onde você estava que a gente não se
esbarrou antes? Por onde você carregou certas inquietações que também habitam
minha cabeça? De onde vem essa deliciosa despretensão que te traz a mim para
além da diferença de uma década ou depois de tantos corações partidos.? Com
tudo e, contudo, resiste essa crença que resolveremos ,cada um na sua terapia,
os seus “problemas com as mulheres” e os meus “problemas com os homens”. Pergunto
de novo: onde você estava? Naquele aplicativo? Por quanto tempo? Todo o tempo?
Tempo, tempo mano velho. Nos conhecemos ali e a partir dos quadradinhos brancos
e verdes e de encontro em encontro vamos nos aproximando, vivendo desse gozo instantâneo
e infinito da conversa do sexo e do abraço. Dos selinhos cuidadosos e do beijo
na mão durante a viagem entre a sua casa e a minha. É bom porque é leve,
adulto, verdadeiro e sem cobrança! É bom porque é nosso! R de Rubens e R de Rosa!
Obrigada por você existir. Até o próximo encontro!
bjs