quarta-feira, junho 08, 2011

Desbotamento


Tinha muitas coisas pra dizer. Trabalho, transformações, prazeres da maternidade, família etc e tal... Mas depois de 50 minutos de conversa reflexiva no divã estou com um pensamento colado na cabeça.
Refletia sobre sentimento. Sentimento de um modo gera. Eu dizia que pra mim qualquer forma de afeto passa necessariamente por uma forte admiração. Gosto de quem admiro. Seja pela inteligência, ou doçura, ou senso de humor, honestidade, sinceridade etc e tal. Preciso acreditar que aquela pessoa que “amo” tem uma virtude, ou várias ou todas.
Fechado o ciclo de pensamento sobre o que me faz gostar de alguém comecei a pensar que os sentimentos se transformam. E essa transformação é bem mais complexa do que simplesmente deixar de gostar, por exemplo. Creio que os sentimentos se transformam na medida em que o meu olhar para vida se transforma. E esse olhar nada mais é do amadurecimento que também é a chance de rever as coisas da vida. Olhar novamente, sem espanto, culpa ou medo. Então, posso crer que existe a equação sentimento e amadurecimento o que não significa na prática que quando amadureço o sentimento fica menor ou maior. Na verdade ele muda, muda de cor. Olho pra mim e tenho sentimentos bem diferentes do que tinha aos 15 ou 20 anos. Depois de um tempo fiquei mais confortável dentro de mim mesma, parece que tudo vai se alargando se acomodando no universo íntimo. Maternidade, três décadas de vida, família, conquistas, tudo isso foi tomando ao longo do tempo contornos diferentes.
E nessa balança de crescer, amadurecer, amar, existe um equilíbrio tênue que às vezes me faz ficar triste cansada e com medo. Perder a euforia juvenil pode ser melancólico e chato também.Usando livremente as palavras de Nega, uma mulher incrível, “todo amor sofre desbotamento” . Seria essa a transformação cabível dos sentimentos?

Na foto um pouco de mim.