segunda-feira, março 23, 2026

Eu não me corrijo! Sou a estúpida garota de Notting Hill"

 

È evidente que teria um texto sobre o primeiro encontro...

Dois mil cento e oitenta e cinco dias separam a xavecada da pandemia e o primeiro encontro. Goiânia ultimo dia de verão, chuva fina, início da noite sigo em linha reta e não consigo distinguir no pequeno aglomerado do bar aquele que fui encontrar. Bate uma certa angústia porque tive que insistir um pouco para esse encontro e um tanto insegura penso no que fazer caso ele não tivesse me esperado. No auge o pensamento pessimista, avisto sua figura, exatamente como imaginei a mesma altura, o mesmo chapéu de tantas fotos, uma camiseta descolada e aquele charme carioca que exala ainda que a pessoa esteja imóvel. A seriedade da insegurança dá lugar a um sorriso de orelha a orelha que foi a marca de toda noite.

O lindo dos lindos estava ali bem de frente! Fui chegando perto e exclamei:

- Você existe! È vc mesmo!

-Claro que existo, não sou holograma, não sou dorama e estou aqui! Foi dito em alto e bom som com os braços abertos.

Se fosse roteiro de filme as vozes do bar cheio seriam silenciadas e o barulho seria do meu coração aos pulos que logo foi amansando por um abraço digno dos filmes mais lindos e premiados. Um abraço enorme! Forte e único!

De mãos dadas sentamos numa mesa bem pertinho um do outro. Você pergunta cordialmente o que quero beber e tenho vontade de responder com Belchior “eu quero um gole de cerveja no seu copo, no seu colo e nesse bar.” Acho que meio sem perceber quase fiz isso porque em seguida você me advertiu educadamente dizendo: você quase sentou no meu colo. Sorriso amarelo e sou obrigada a recuar, fui exposta pelo “meu coração selvagem tem essa pressa de viver”

A conversa seguiu animada não sei por quanto tempo eu tinha tanto pra perguntar. Queria saber do trabalho, do que achou de Goiânia, qual a programação ou ouvir qualquer coisa que você quisesse falar. Qualquer coisa! Ouviria entusiasmada a lista de carros de todas as fórmulas, ou a listas das motos ou o discurso revoltado sobre feminicídio. Pra mim o mundo parou e o importante era tentar apreender aquele momento que já estava no looping infinito de passado e presente

Enfim a linguagem das línguas se deu e o beijo desejado há tantos anos aconteceu! Éramos dois adultos se beijando sem parar no meio do bar. Intercalando abraços com “olhos nos olhos” e sussurros com promessas de mais beijos quentes e o desejo eletrificando nossos corpos. 

Do nada você me diz: Tô te achando mais mulherão, mais segura! Fiquei intrigada com a constatação sem entender bem o que significava. Depois de muito refletir me dei conta que você teve acesso a uma camada muito profunda de mim. Acessou a Nina mais delicada, mais frágil e vulnerável e encantada por você. Não sei se é a Nina “mulherão destemida” ou a “insegura kamikaze” que se revela assim a todo o momento para o lindo dos lindos! Rsss

De toda forma aqueles momentos ficaram eternizados na minha cabeça e no meu coração. E diante de qualquer desfecho quero te dizer que eu também sou:  sou apenas uma garota, parada na frente de um garoto, desejando ser amada!