segunda-feira, abril 08, 2019

ESCREVER



Me sinto compelida a escrever. Tão engraçado isso e dessa vez é diferente do fenômeno de “psicografia” que experimento desde a alfabetização. As vezes do nada me vem um texto inteirinho sobre um assunto qualquer que pode ser banal ou algo complexo e profundo como sentimentos. Os textos continuam brotando na minha cabeça, mas agora tem um sentir, um digerir e um alívio que eu não experimentei antes. O fato é que cada vez mais as palavras tem poder sobre mim! Até mesmo as não ditas, tudo fala comigo inclusive o silencio.
Quero falar sobre você! Sim você mesmo que está aí na sua vidinha pequeno burguesa rodeado dos seus filmes, cabos e santos.

Sim quero falar com você! Não finja que não me ouve e que não sentiu meu coração disparado e a forte dose de adrenalina dentro do uber quando achei que entraria em colapso por conta da novidade de sentimento.

Quero te dizer que fiquei surpresa com seu vigor….parabéns! Só que também adorei aquele colchão macio, roupa de cama limpa e clarinha e por isso a vontade de dormir. Só faltou café com leite de manhã.

Um convincente “boa noite” e aquele edredom eram suficientes pra mim naquela noite. Mas tivemos bem mais, afinal como você disse, “somos feitos de carne e hormônios”. E a carne, ao menos a minha, responde a todos os estímulos e foi muito bom! Apesar do bocejo matinal e da total incapacidade de assistir aula porque fiquei com o pensamento longe, nas cenas, nos sussurros e nas imagens: sou feita de muita imagem...muita mesmo!

Quando a noite se transformou e dia tive um acesso de medo e incapacidade de pensar e saí sorrateira!!! Corri como alguém deve fugir da cena do crime, limpei vestígios, evitei barulho e fui bem rápida! Mas levei a noite comigo e senti falta do bom dia. As vezes sou assim ambígua, desastrada, distraída...eu te falei.

Obrigada pela acolhida! Foi bem bonitinho você me apresentando seu apartamento, falando dos seus hobbies e da rotina de brasiliense sem carro. Tudo acontecendo sob o olhar calmo do Fred que espirra sem parar….achei tão engraçado! È como se eu fosse apresentada a uma vida nova na qual eu estou autorizada a entrar. Me deixa entrar? Me deixa desfrutar do seu ar condicionado no modo Sibéria! Me deixa curtir seu abraço de urso completamente em silêncio! Me deixa assistir todos aqueles filmes geek que estão na estante ? Me explica sobre aqueles santos de madeira? Por favor, seja normal! Seja do bem! Seja corajoso e verdadeiro! Por favor não tenha um passado obscuro e por favor não omita nem minta sobre coisas graves. E por fim me ajude a ser quem já fui antes. Tenho buscado um tanto da Nina, confiante, alegre, leve, carinhosa, amiga, corajosa….ajude a gente a se encontrar. Minha intuição me diz que estamos precisando: eu e você! Se cuida!




quinta-feira, abril 04, 2019

TESTEMUNHO




Goiânia, 04 de abril de 2019.


Caro Pastor Aluísio,


Meu nome é Nina Rosa, tenho 43 anos, mãe, professora, mulher trabalhadora. Nasci num lar cristão de uma igreja tradicional são 5 gerações de fé cristã evangélica. Fui criada num lar matriarcal onde fazemos cultos doméstico com louvores da harpa e do cantor cristão em todas as festas oramos agradecemos e louvamos ao Senhor. Essa prática me fez desenvolver um tanto de fé e um temor de Deus que me protegeu e me guiou pela juventude. Na adolescência frequentava a igreja do Pastor Vilarindo em Brasília e muitas das suas pregações me tocavam de forma especial, após a adolescência me tornei uma crente “fast food” ia a várias igrejas me sentia alimentada e seguia a vida sem manter um compromisso sério em nenhum lugar.

Por volta dos 30 anos comecei a frequentar a Igreja Cristã Evangélica (Av. Paranaíba em Goiânia) por causa de um namorado que era membro e sempre íamos aos domingo no culto, não por acaso essa é a igreja a qual minha família sempre congregou e aquela vivência toda fez muito sentido pra mim e desejei me batizar e me tornar membro. O culto do meu batismo coincidiu com o aniversário da igreja e esse momento foi tão lindo, especial e emocionante que lembro com detalhes como aconteceu. Creio que me senti de fato amada e pertencente a um grupo onde falávamos de Deus e estudávamos a bíblia era uma convivência deliciosa e prazerosa. O namoro (nada cristão por sinal) com o membro dessa igreja naufragou mas continuei firme e ainda trouxe o novo namorado para o culto, que dormia no banco da igreja e nada entendia do sermão do reverendo Jessé . As vezes era constrangedor o olhar das outras pessoas pra ele, mas eu nem ligava seguia muito feliz e sentindo prazer e alegria naquela prática. Após quase 2 anos de namoro com esse segundo rapaz eu engravidei sem planejar, foi de fato um descuido algo sem muita explicação na medicina porque eu havia recebido um diagnóstico de infertilidade em 2006 e meu filho nasceu em 2008. Eu entendi a gravidez como uma benção ainda que tivesse acontecido num momento conturbado financeiramente e que logo em seguida a descoberta da vinda do bebê o Roberto (pai do meu filho) simplesmente me abandonou, sem assumir responsabilidades ou me apoiar. Senti o chão se abrir! Eu não entendia porque passava por tudo aquilo mas decidi me apegar a maior prova do amor de Deus por mim: meu filho Gabriel! Entendi que muito além daquele relacionamento eu tinha recebido algo especial que fazia parte de um desejo forte e íntimo de ser mãe! E o Senhor na sua infinita misericórdia havia me concedido essa graça tão especial e se eu não tinha um companheiro, provavelmente, não tinha pedido com a fé necessária uma família mais tradicional como eu também queria.

A gravidez seguiu muito bem! Nunca tive enjoos ou transtornos e acho que poderia ter tido uns 10 filhos porque vendi saúde e bem estar nesses meses de gestação. Gabriel nasceu lindo e saudável! Esperto, cheio de energia assim que ele nasceu eu vivia num torpor de amor, eu olhava para ele admirada com tanta perfeição e saúde. Essa sensação tinha um motivo porque descobri minha gravidez bastante avançada (20 semanas), tive dengue e nada disso impediu que o Gabriel viesse ao mundo vendendo saúde e energia! Oh Amor infinito! Eu nem merecia ser mãe e ainda ser mãe de um bebê tão especial eu me senti especial de novo. Eu estava tão feliz que queria dividir aquela dádiva com toda a igreja e apresentar meu testemunho mostrar o quanto o amor de Deus é infinito! Planejei a apresentação do Gabriel á igreja, pretendia inclusive fazer uma pequena festa e receber família e amigos após essa apresentação. Organizei tudo! Só faltava combinar com o reverendo Jessé em qual culto o Gabriel seria apresentado. Ao abordá-lo pra definir essa data ele me disse que não faria a apresentação do Gabriel para toda a igreja porque eu não era casada que seu quisesse que ele orasse pelo meu filho eu o levasse ao gabinete pastoral para isso. Quando lembro disso tenho vontade de vociferar um palavrão daqueles! Novamente o chão se abriu eu tive vontade de responder ao reverendo com um montão de desaforos mas me contive, ele era um homem idoso e meu pastor eu não poderia ser desrespeitosa com ele ainda que ele tenha sido comigo. Foi extremamente doloroso imaginar que aquele homem não via o Gabriel como uma benção, como presente de Deus. O resultado disso tudo foi eu lidar com essa revolta me afastando da igreja mas jamais me afastando de Deus que seguiu me oferecendo milagres diários. Voltei a ser crente “fast fodiá” fui a muitas igrejas me alimentava e sumia.

Tem mais na minha história mas agora cabe um parêntese para tentar explicar a motivação desse texto. Pra ser sincera nem eu mesma sei ao certo. Penso que estou escrevendo para dar um testemunho, compartilhar e conversar contigo. Sou apreciadora das palavras que saem da sua boca, vejo o mover de Deus na sua igreja, li alguns dos seus livros admiro sua esposa (ela é linda e elegante!) e vejo tanta força na Videira. Creio que precisamos dessa força nesses últimos dias e sinto que essa força existe na Videira.

Voltando….

Continuei na prática “fast food” por anos! Em 2014 conheci um rapaz que parecia preencher os requisitos para um esposo bacana. Passados 3 anos de relacionamento percebi que tudo não passou de uma ilusão criada por mim, na verdade, ele era um homem perverso e perturbado e o término do noivado foi algo muito forte, foi de fato a primeira vez que vi o levantar do inimigo sobre mim. Ah querido pastor quantas dores e tribulações! Medida protetiva (judicial), perseguições, humilhações e principalmente medo, muito medo! As vezes eu ficava me perguntado: Deus por que? Por que eu? O que o Senhor deseja comigo? No auge da minha pertubação fui convidada por um grande amigo que é da Videira (setor bleno Paulo Pelágio rede pastor Micael estou certa do nome desse pastor?)a participar de um encontro e, sem dúvida, esse encontro é um divisor de águas na minha vida. Foi simplesmente MA RA VI LHO SO! Me recordo de ver a cruz queimando meus pecados e o quanto fui atraída por aquela imagem e principalmente me recordo da sensação. Senti que algo se queimava dentro de mim, essa lembrança sempre me leva as lágrimas porque foi um fogo que trouxe uma renovação e consciência sobre meu relacionamento com Deus!

Fui ao pós encontro e estudei com o Paulo que me acompanhou por várias semanas! Comecei a frequentar o culto e tudo que era dito nas pregações faz grande sentido pra mim e eu me perguntava “onde eu estava que nunca ouvi isso antes”? Toda semana esse meu amigo me manda pelo watts app as pregações de domingo, sempre aos ouço quando estou no trânsito, leio as passagens e fico refletindo o que ouço por dias!!!!

O Sr. deve estar se perguntando nesse momento: então você está ou não na Videira? Cadê você ? Sou capaz de ouvir sua voz com entonação única e muito própria falando assim. Era neste ponto que eu queria mesmo chegar. E o que digo é uma confissão: não sei o que me impede de fato de estar na igreja de forma completa! Aliás, ouso dizer que tenho sim vários argumentos racionais para justificar essa ausência. Sofro como pensadora porque vejo que a Igreja como instituição social padece de muitos males que observamos em outras instituições sociais. Claro que também sei que a Igreja vai além do seu formato social, mas, muitas coisas me incomodam.

Só que Deus é um pai insistente! E de repente, no último ano, tenho experimentado milagres diários e também despertei para a fome do inimigo. Hoje mais adulta, percebo essa inclinação que o mal tem por nós, creio que isso tem a ver com a nossa natureza humana e frágil! Quanto mais eu reflito o quanto sou sombra por ser humana mais contemplo a luz de Deus e me sinto grata por ter um Jesus que pagou o preço por mim! Essa reflexão é racional e as vezes me sinto um tanto culpada por ser assim. Ouço tantos relatos de encontros espirituais e experiências além do entendimento que fico constrangida por pensar nos favores que recebo de forma racional. Porque eu penso em DEUS A TODO MOMENTO TODOS OS DIAS! E contemplo suas obras e os pequenos mas infinitos milagres que recebo diariamente.

Gostaria muito de compartilhar com outras mulheres que vivem ou viveram um relacionamento abusivo o quanto o nosso Senhor pode sarar essas profundas chagas. E também falar com as jovens sobre a importância de se investir na vida espiritual, o poder da oração e que cada um tem sua forma de conversar com Deus e que esse diálogo é fundamental para vivermos de fato! Porque quando estamos longe de Deus apenas existimos e a existência feminina nesse mundo é bastante hostil. As mulheres precisam pensar sobre seu papel no mundo e que somente com Deus conseguiremos vencer os desabores humanos.

Enfim, prezado pastor Aloísio gostaria de receber orações para que eu me encontre de fato nesse caminho que me leve a Igreja. Recentemente eu estava muito angustiada com esse assunto e numa pregação sua ouvi que, para algumas pessoas, há um tempo para a “metanóia” ou seja uma transformação mais profunda e tolerante. Eu creio que estou nesse processo. Eu anseio pelo dia em que eu sinta a plenitude de estar de fato numa igreja.

Obrigada por ler o meu testemunho!

Abraços

Nina Rosa